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Mother! mother nature

by outubro 7, 2017 2:26 pm

Mãe é um filme difícil de digerir, com figuras de linguagem que talvez os menos atentos deixem passar, um filme como esse nos alerta para tantas criticas que vivemos desde o começo da humanidade que nunca demos a devida atenção e Mãe é um filme amargo sobre a natureza humana e a criação.

Aviso que esse texto CONTEM SPOILERS SOBRE O FILME

Darren Aronofsky (Diretor de Cisne Negro) tem um certo gosto por filmes com intensidade visceral, com Cisne Negro ele explorou a história do músical a personagem de Natalie Portman. Em Mãe, Aronofsky criou uma releitura para uma das histórias mais antigas numa alegoria moderna, mas que não perdeu o tom de suspense que o diretor assina em seus filmes.

Cheio de mensagens em entrelinhas com cenas fortes e traumáticas deixando o espectador inquieto com o enredo cheio de abusos e violências e pessoas cruéis numa espécie de Bebe de Rosemary, e é essa a primeira referencia perceptível no filme, mas em algum momento percebemos que o diretor consegue atingir uma grandeza que o filme de Roman Polasky deixou a desejar.

A conclusão do filme não está clara para todos, durante o filme vi a reação de pessoas incomodadas que não entendiam o que estava acontecendo.

Javier Barden consegue deixar uma atuação perturbadora de um poeta buscando inspiração numa casa gigantesca localizada no meio do nada com um estilo escandinavo minimalista de tons pasteis, a sua busca megalomaníaca por inspiração faz com que sua esposa interpretada por Jennifer Lawrence se apaixone por esse homem misterioso, a casa onde vivem foi destruída e ela que teve a missão de restaurar e deixa-la igual a como era antes, mas esse relacionamento abusivo onde a “função” da mulher é sempre servir é onde nasce o conflito quando um intruso é aceito a passar a noite sem o consentimento da personagem de Jennifer.

A trama que é construída sem dar nomes aos personagens começa a se encaixar numa trama comum, mas o filme guardaria as surpresas para o final.

Quando esse hospede entra na casa começa a aparentar um certa admiração pelo dono da casa, o personagem de Javier se mostra uma pessoa “bondosa” e omissa as vontades de sua mulher o filme todo, enquanto a personagem de Jennifer se incomodada com a hospitalidade oferecida oferecida pela seu marido que não tem limites.

 

A trama do filme começa a se complicar quando a esposa do intruso chega pela manhã, uma mulher de certa idade, mas que mantém a vaidade e uma certa falta de pudor, interpretada por Michelle Pfeiffer.

Esse casal parece comprometer o relacionamento entre os donos da casa causando uma intriga entre os dois ressaltando suas fraquezas, a sede por inspiração e adimiradores do escritor e a insegurança da sua mulher por não conseguir a atenção de seu marido e não ter um filho, eis que tudo esse clima culmina com os intrusos invadindo o quarto onde o poeta escreve seus textos, e nessa invasão eles quebram um item muito estimado pelo dono da casa, uma pedra que lembra um cristal, a única coisa que restou da sua antiga casa antes de ser consumida pelo fogo.

numa explosão de raiva o dono da casa se isola no quarto e tenta juntar as peças do cristal com seu sangue, enquanto a dona da casa vai de encontro aos intrusos para expulsa-los, mas se depara com os dois tendo relações sexuais em um cômodo da casa, numa cena de raiva, repulsa e indignação por todas as situações que vimos durante o filme, somos interrompidos mais uma vez pela invasão de um homem na casa alegando querer ver seu pai, o filho do casal de velhos que causaram todo o transtorno aparece para tirar satisfação com seus pais sobre um testamento e eis que outro homem aparece na casa, mais um filho desse casal, mas veio para brigar com seu irmão mais velho.

Nessa briga de família o irmão mais novo acerta seu irmão na cabeça e em seguida foge deixando o corpo do seu irmão ferido sujar o chão da casa com uma poça de sangue, na tentativa de salvar o filho todos vão para um hospital, mas deixam a dona da casa sozinha.

Sei que até agora tudo parece muito confuso e que mais eventos confusos e perturbadores acontecem no decorrer de 2 horas de filme, mas nesse primeiro ato de filme temos a leve impressão de conhecer essa trama de algum lugar; um casal que causa discórdia e seus dois filhos que numa briga acabam com o irmão mais velho morto.

Ao voltarem para casa, o casal de velhos e o dono da casa arranjam um funeral para a família e amigos, mas nesse funeral aparecem muitas pessoas e que em determinado momento começam a criar uma bagunça na casa, a dona da casa sempre preocupada em cuidar do seu lar começa a se impor e tentar controlar as pessoas, mas seus “visitantes” não se comportam e começam a testar a estrutura da casa, até que quebram o balcão da pia da cozinha e a casa alagada faz com que a doa da casa tenha outro ataque de raiva e expulsa todos que ali estavam.

o seu marido fica espantado e se opõe a sua mulher e ela numa explosão de raiva resolve colocar para fora o que lhe aborrecia, e reclama da falta de atenção que seu marido lhe dá, eis que o Homem força uma relação sexual entre os dois, mas sua mulher não se opõe a sua brutalidade.

O segundo ato se deve a mulher se descobrir mãe e seu marido conseguir a inspiração para escrever sua nova poesia, mas eles não estariam salvos pois as marcas daquela morte que aconteceu na casa deixou a estrutura comprometida e isso vai deixando a casa podre por dentro.

Quando a nova poesia do Homem é publicada o ciclo de horror volta a acontecer, mais pessoas voltam a aparecer na casa e deixam o clima de admiração mais perturbador pelo escritor, enquanto sua mulher prestes a dar a luz volta a se preocupar com tudo aquilo acontecendo na sua casa, então o tumulto toma conta e numa sequencia de desespero e agonia.

A mulher a sentir contrações na sua barriga enquanto as pessoas que estavam ali para terem um livro autografado começam a tomar atitudes fanáticas e destruir a casa para levar um pedaço com elas, quando a dona da casa questionam porque eles fazem aquilo, um intruso responde “temos que deixar a nossa marca que passamos por aqui” então aquele tumulto começa a ter cenas de violência extrema, com policia confrontando aquela multidão, alguns começam a uma pregação pela casa com fotos do Dono da casa num culto de adoração esquizofrênico, e a casa começa se destruir, uma guerra parece ser travada, pessoas começam a morrer de diversas formas, balas, fogos, um verdadeiro massacre que confundi nossa mente: como tudo isso pode estar acontecendo?

Um verdadeiro inferno está acontecendo dentro da casa e o espaço começa a se tornar relativo, se criando mais cômodos dentro daquela mansão e em cada cômodo ais cenas repugnantes que o homem causa com sua arrogância.

E no meio dessa confusão a mulher começa seu trabalho de parto, seu Marido a encontra e a leva para seu escritório que estava bloqueado aos intrusos, o parto acontece ali mesmo de maneira natural a própria natureza agindo para que a mulher desse a luz, e os dois se transformam em três, o Homem e sua mulher agora tem um filho.

Mas o mal ainda está lá fora, enquanto o Homem tenta levar seu filho para a multidão a mulher tenta defender com todas suas forcas, mas o cansaço a consome e durante um momento em que fecha seus olhos o Homem rouba seu filho das mãos de sua mulher e o leva para a multidão, a mãe então acorda assustada e vê seu filho ser levada pela multidão que acaba por matar seu filho e nessas ultimas cenas de desespero a mulher vai até o porão de sua casa e decide tirar sua vida e de todos que estavam ali destruindo aquela casa com fogo.

Uma explosão destrói tudo que estava ali, a casa agora é cincas e a mulher toda queimada é levada pelo seu Marido que parece não ter sofrido com nada. O Homem tenta explicar para sua mulher que sua função não é destruir e apenas criar e deixar o fluxo da vida criar as próprias regras, o próprio livre arbítrio.  Enquanto sua mulher morre seu ultimo desejo é que ele leve o seu amor e arranca o coração da sua mulher, a matéria se desintegra e aquele coração se torna um novo cristal.

e tudo se recostou mais uma vez, a casa volta a se regenerar, mas agora existe outra mulher. Tudo isso pode parecer muito louco para o espectador desatento, mas o filme é a história da criação, um Deus que cria e a natureza (sua esposa) responsável por nos acolher e abrigar, mas que é confundida com uma serva que sempre irá ceder as nossas vontades.

O filme é um pela releitura do que o homem está fazendo a terra e a humanidade, a casa é uma alegoria para nosso planeta, e nós estamos destruindo ele com nossas ações de violência, destruição e morte.

Deus é vivido por Javier Barden, um homem que não se impõe e as vezes se entrega ao ego de viver pelas suas criações deixando que seu próprio filho fosse morto pelas mãos de seus seguidores.

mother!
★★★★★