cinema

The Shape of Water é uma forma de amor às inspirações de Del Toro

by Fevereiro 17, 2018 1:27 pm

Shape of water é a melhor forma de descrever o trabalho de um diretor que criou a assinatura de sua carreira a partir de um gênero esquecido/antiquado, que precisava de uma nova leitura com significados modernos.

As criaturas místicas que assombravam mocinhas indefesas em filmes de outras décadas como: Monstro da Lagoa Negra (1954), Frankenstein (1931), King Kong (1933) e tantos outros, passaram a ser obsoletos para o cinema e perderam a empatia do público, mas Del Toro sabe muito bem como trazer vida para esses persongens, tirando todo os clichês e estigmas que eles carregam. Essas criaturas não são os violões em seus filmes, e sim as vítimas, em The Shape of Water é forma de Guilhermo Del Toro prestar sua homenagem a esse universo, criando personagens complexos e dúbios como qualquer um, mas com a intensão de ressaltar a perversidade do homem e a inocência e fragilidade de criaturas que não podem ser compreendidas

Para isso nos temos 5 arquétipos de pessoas que representam nossa sociedade, Elisa (interpretada por Sally Walkings) é uma mulher muda que mora sozinha e tem uma rotina monótona, trazer uma personagem com uma deficiência foi algo corajoso e essencial para que essa história fosse genuína.

Zelda é a colega de trabalho de Elisa, que enfrenta as dificuldades de ser uma mulher negra vivendo nos EUA durante a década de sessenta, Larry é um homem de meia idade, vizinho de Elisa, que está ficando obsoleto por ser um ilustrador publicitário em uma época que seu ofício já não é tanto requisitado, e ao mesmo tempo está a vanguarda do seu tempo por ser homossexual em uma época em que pouco se dava liberdade para relações entre pessoas do mesmo sexo.

Até aí vimos três personagens trazendo diferentes camadas e personalidades para nossa história, mas Guilhermo del Toro é conhecido pelo seu trabalho em filmes de criaturas e é justamente aí onde entra nossa quarta persona, a criatura que não sabe se comunicar com humanos é explorada por cientistas querendo usa-lo para pesquisas para aperfeiçoar as tecnologias do governo americano e por ser uma criatura diferente de um humano é a razão da repulsa do nosso quinto quadjuvante.

O único personagem que se encaixa nos “padrões” clichês é um homem burocrático, machista, preconceituoso que vive o estereotipo do sonho americano da família perfeita com sua mulher e seus filhos num trabalho conceituado para o governo americano durante a exploração espacial e Guerra Fria.

Cada personagem traz seus estigmas para essa história que usa seus artifícios de fantasia para respingar várias criticas de como nós vivemos o preconceito e a única maneira de acabarmos com isso é se não criasse-mos diferenças entre nós, como o amor de uma mulher por essa criatura que aprendem a se comunicar através de sentimentos e é sobre essas relações que não precisam de formas definidas, como a própria água, que é volátil e pode de adaptar em qualquer lugar.

E é sobre essas relações que o filme se trata, sobre as diferenças que nos separam e nos unem e que o preconceito só ira de fato acabar quando não existir mais de fato essas “diferenças” e todos estivermos mergulhados no mesmo universo.

Esse diretor que tantos nos impressionou em Labirinto do Fauno, Hellboy, Pacific Rim, ainda tem muito para nos mostrar e filmes com esse é o reflexo mais profundo das crenças que um diretor leva consigo para fazer sua arte e nos deixar encantados com essa história de um amor improvável, provando que nossos preconceitos podem ser quebrados, que nossos sentimentos são mais importantes que as aparências, que humanos podem amar criaturas.

Na dinâmica do filme soa como uma poesia e nossos corações e almas saem lavadas por saber que nossa humanidade pode ser o nosso melhor recurso quando queremos ter sentimentos bons de amizade, amor ou pode ser nosso pior defeito quando escolhemos segregar as pessoas por não se encaixarem nos padrões.

A Forma da Água faz nossos sentimentos submergirem por um amor inocente entre uma mulher e uma criatura que apenas a mente de Guilhermo de Toro poderia criar

O filme concorre a varias categorias do Oscar, que ira acontecer no dia 5 de Março e Guillhermo de Toro já ganhou alguns prêmios pela sua obra como o globo de ouro de melhor direção. A Forma da Água é um conto de fadas que reverência o romance sem estereótipos e exalta a beleza humana de personagens esquecidos em diversas histórias.

★★★★★